02 Janeiro, 2011

Querida (?) infância

Festas de fim de ano, para mim, só fazem sentido se forem comemoradas ao lado da família.
Nesse ano (passado) foi assim. A parte mais divertida, além da comida, foi ouvir algumas histórias da infância da minha mãe e do irmão dela, e também da minha tia e da mãe dela.
Até aí, tudo super muito engraçado. O clima mudou quando a minha infância e adolescência foram temas da pauta do dia.



Eu não ia ouvir calada! "Discordo de tudo! Eu não era assim!" - eram frases prontas pra serem lançadas a qualquer momento.
Ironicamente, eu silenciei. Depois de ouvir todas aquelas histórias completamente muda eu repensei em todas as ideias pré-moldadas que eu tinha comigo até aquele momento.
Foi perturbador...



Deixa eu tentar explicar como foi esse momento para mim.
Meu cérebro (retardado) guardava apenas alguns registros de minha infância, como num baú onde eu já soubesse tudo o que tinha dentro.
Naquela hora, quando abriram meu velho baú, encontraram um fundo falso, cheio de coisa que eu de alguma forma sabia, mas não me lembrava.


Eu fui uma criança atentada. Eu jurava que tinha sido um anjo.
Eu fui uma criança chata. Eu pensando que era altista.
Eu fui uma criança birrenta. Sempre achei que era lutar pelo que eu queria.
Eu fui uma criança que apanhou muito. Palmadas merecidas.
Eu fui uma criança bem cuidada. Achava que eu tivesse sido esquecida.
Eu fui uma criança e adolescente fora da minha realidade. Só hoje vejo isso.


Em suma: eu era cheia de vontades, meu pai me mimava e minha mãe tentava me educar.
Eu me isolava achando que estava certa e o tempo passou. Fim.

Acho que essa terapia em família teve um resultado positivo. Foi doloroso pensar que todas, ou pelo menos a maioria, das ideias que eu tinha a meu respeito eram ilusão.
Mas descobrir a verdade liberta. Hoje agradeço a minha família por ter cuidado de mim do jeito que foi. Isso resultou numa Roberta madura antes do tempo, obstinada, com caráter e princípios inegociáveis; Um ser humano melhor, eu diria.




Agora, só me resta uma coisa: aproveitar 2011 pra (continuar a) me conhecer melhor ainda! Já que a infância e adolescência foram trágicas, digamos assim (e atire a pedra quem não teve seus traumas de infância/adolescência!!), o tempo presente vai ajudar a caminhar por outros destinos.






[final feliz ponto!]


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